Na Subida do Morro


VÊNUS DE ALUGUEL

MEU LIVRO COM O A 2ª EDIÇÃO DO TEXTO VÊNUS DE ALUGUEL TAMBÉM PODE SER ENCONTRADO NO SEBO DO BAC, NA FRENTE DO SATYROS II. ONLINE NO ENDEREÇO AÍ EM BAIXO.

AXÉ!

www.sebodobac.com



Escrito por WALNER DANZIGER às 11h09
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CRÔNICA DE 2ª

 

LUMIÉRE



De mãos dadas com o vô e a vó, a primeira recordação puxada lá detrás. Um filme do Mazzaropi no Cine Centenário pra depois cair de boca nas delícias geladas da Sorveteria do Geraldo. Êta danado que quem é filho da terra ou de passagem, se foi apresentado, sabe do que estou falando.

Na fila, a mãe aborda um sujeito risonho e enorme. Os tempos, outros, porque os dois fazem um trato e o gigante me leva pra sessão. O combinado: Minha mãe esperaria que o estranho me devolvesse são e salvo ao final, na porta do estabelecimento. Romeu e Julieta e o grandalhão não parou de rir o tempo todo, divertido, zombando da choramingação das adolescentes emocionadas com o drama sheakespeariano. As meninas fungando e o cara se contorcendo na cadeira de tanto rir. No final, a única coisa que me disse, enxugando as próprias lágrimas: - Gostou?

Com pouco mais de sete anos, não entendi quase nada. Queria mesmo a mãe. E ela estava lá. Outros tempos...

Vieram os filmes dos trapalhões ( E as coxas da Monique Lafond em “Simbá, o marujo trapalhão”), Jornada nas Estrelas ( Santos. Primeira vez que fui sozinho ao cinema, em frente a casa da Tia Tereza), 007 ( Roger Moore ainda é meu James Bond predileto), Rock (I,II,III e IV. O primeiro pra mim, um clássico da sétima arte), Rambos e Emanuelle...

Só um e outro tinham vídeo cassete em casa. Coisa de luxo. De gente organizada. A coroa até tentou um consórcio mas nunca fomos contemplados e pra ver mais de uma vez o filme, só dando truque no banheiro ou pagando de novo. “Grease” , neguinho encarou mais de quinze vezes, contaram.

Metido a saber de alguma coisa e principalmente apaixonado pela Juliette Binoche, os primeiros mergulhos no cinema europeu e é muita coisa de lá pra cá: Fellini, Orson Wells, Woody Allen, Almodóvar, Kurosawa, Scorcese, John Singleton, todo o cinema brasileiro em sua grandeza.

Na fila, o velho, podre de velho. Sozinho com seu ingresso na mão. O velho misturado ao bando excitado de adolescentes barulhentos e ele nem aí. Mas que nada esse shopping numa tarde calorenta. Nem te ligo se vou mesmo pro Cinemark. Bem vestido, elegante, sentou no café. Homem suave, estudando com calma o cardápio.

Perto dali em primaveras passadas, Cine Estrela e o Jamor com seu conjunto de apartamentos em cima. A avó da Lílian habitava um deles. O Jamor virou igreja e agora tá virando escombro. Tudo fechado, abandonado. Onde será que foi parar a avó da Lílian? E a Lílian?

Desapareceram os cinemas de bairro. Na praça Roosevelt Bijou e Oscarito são teatros. Lá pra Paulista e arredores cadê Gazeta, Gazetinha e Gazetão? Belas Artes o banco patrocina, Cine Arte quem toma conta é a marca da esponja de aço.

Nasci em cima de um cinema de bairro. Abri o jornal e vi que tem gente tomando conta dele também. Viva! O Paramount, na Brigadeiro agora é teatro de bacana. Foi numa daquelas salas que eu, borra botas, dando os primeiros passos no teatro assisti Cinema Paradiso. Naquela tarde eu levei um cano mas ganhei uma emoção que carrego comigo e que se renova a cada nova sessão. Dever de carregar a aldeia e seus personagens pra onde quer que se vá. Seja qual for a paragem.

O tempo passou. Não existe mais o Paramount, o Paradiso e muito daquele olhar ingênuo e esperançoso diante as coisas da vida se apagou.

O tempo passará e Oxalá eu, velho, podre de velho, talvez menos suave e elegante, vez em quando,me sentarei, como faço hoje, ao lado do Totó. Em silêncio, protegido pela escuridão, as janelas do mundo se abrirão e será um sacudir a poeira. Colorir a fotografia em preto e branco. Iluminar.

E o homem velho, podre de velho continuará a sorrir.



Escrito por WALNER DANZIGER às 09h53
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DESCULPAÍ!!!!



Escrito por WALNER DANZIGER às 10h32
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TRAFICANDO INFORMAÇÃO

quinta-feira está de pé o show AMIGOS DO MARIÃO
no café aurora [13 de maio, 112, bixiga].
o ingresso será R$ 10
toda a bilheteria ficará para ajudar nas despesas da família de londrina que está aqui. Quem de fora [ou de dentro] quiser ajudar também, pedimos que faça um depósito na conta de:

Cristiane do Carmo Viana
Banco Unibanco
agência: 0935
conta poupança: 127721-6

SARAVÁ!



Escrito por WALNER DANZIGER às 10h26
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NORMALMENTE, SEGUNDA FEIRA É O DIA QUE RESERVO SOMENTE PRA PUBLICAR A CRÔNICA DE 2ª. MAS HOJE ABRIREI UMA EXCEÇÃO PRA MANDAR, DE ALGUMA MANEIRA, UM AXÉ PRO MARIO BORTOLOTTO QUE LEVOU TIRO LÁ NO PARLAPATÕES.

SARAVÁ!



Escrito por WALNER DANZIGER às 14h20
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CRÔNICA DE 2ª

SAUDAÇÕES SUBURBANAS!

 

 

 A letra é essa, malandragem. E assim é porque uma parte é germânica, a outra escura, suburbana e libertária, sempre no rastro de um papo bêbado e um sorriso bonito de mulher e é assim que é.

“- É samba!” ouvi dia desses. “- No que ele escreve, tem as dores todas e tem o humor. Tudo simples, sem muita filosofia, salamaleques e quás, quás, quás.”

Vamos aos fatos...

Sou samba porque não sei nem quero ser blues, rock and roll. Sou samba mas sou rap, sou funk também. Soul! E assim é porque canto com amor e ódio minha aldeia e chamo Noel, Cartola, Ismael, chamo Candeia nos meus versos sujos e qualquer um deles me ilumina mais que qualquer doutor letrado ou erudito de academia. Os sábios estão na noite. Meus heróis,  nas esquinas, nos botequins, amparados atrás de um copo sujo, uma mesa de bilhar, um rabo de saia.

A letra é essa e pra chegar junto, pra abraçar, é preciso saber de Tim Maia e Jorge Ben. Tirar dos livros e das conversas. Da vida.  Ser protagonista da própria história seja ela qual for. Tenha ela a importância que tiver. Sair da aba, não ir pra onde o vento soprar, pegar carona no sucesso dos outros? Ai...

Sou samba, sou Vai-Vai, cachaceiro e a birita faz de mim um poeta e um demônio. Um solitário sem ponta de medo da solidão porque filho único e alguém mais só nesse mundão véio sem porteira? 

A letra é assim e ódio certo explicar o que escreve e escrever é fácil mesmo. De propósito. O samba é assim em qualquer terreiro. Pra chegar tem que gostar de chanchada e acreditar na força dos orixás. Saborear as coisas da terra e entender de futebol. Olhar ressabiado pros mestres e sua técnicas friorentas e pagar um pau pro deboche. Teatro é circo. É carnaval. E ninguém tem tempo pra chatice não! Punheta se toca no banheiro e sozinho, seu moço! E a letra é assim porque acho Sheakespeare um saco, sou incapaz de terminar um Guimarães Rosa e Nelson Rodrigues nunca foi meu dramaturgo preferido. Ainda não li Kerouac mas incendiei com João Antônio, Nei Lopes, Lima Barreto, Aldir Blanc, Prata, João do Rio, Jorge Amado e claro, Plínio Marcos. Saravá!

Zumbi soprou que sou filho da garoa mas meu sereno é carioca e na subida do morro me fortaleci em James Brown, Michael Jackson e Spike Lee e foi por lá que me contaram que o bolso anda vazio, perdi meus óculos, tem goteira no barraco mas vem gente nova chegando e outros tantos por aí abraçando e isso é um encantamento e é por essas e por outras que malandro que é malandro, enverga mas na quebra, vamo tocando em frente e a letra é assim. Contaram que os amigos de fé carrego numa mão, que Daiana me deu uma camisa nova de presente e eu tô por aqui agora, curtindo uma ressaca medonha porque ontem o flamengo foi campeão, tô aqui, batucando pra vocês.

Meu samba é esse e a letra é essa.

 

 

 

 

 



Escrito por WALNER DANZIGER às 14h15
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02 DE DEZEMBRO

MESMO ATRASADO, MINHA REVERÊNCIA À MAJESTADE DO SAMBA.

 

NOEL ROSA

CARTOLA

 

NELSON CAVAQUINHO

CANDEIA

SINHÔ

 

WALTER ALFAIATE

DONGA

ADONIRAN BARBOSA

ISMAEL SILVA

CLEMENTINA DE JESUS

JOÃO NOGUEIRA

PAULINHO DA VIOLA

NELSON SARGENTO

DEMÔNIOS DA GAROA

CLARA NUNES

GERALDO FILME

MONARCO

BEZERRA DA SILVA

MARTINHO DA VILA

JAMELÃO

ZÉ KETI

LUIS CARLOS DA VILA

MOREIRA DA SILVA

TIA CIATA

 



Escrito por WALNER DANZIGER às 10h54
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LUCAS

QUASE QUE FUI MORDIDO POR UM PITBULL, SUAMOS PRA COLOCAR UMA LONA QUE A CHUVA DA MADRUGADA DESMONTOU, ENCHI BEXIGAS, NUNCA MAIS QUERO OUVIR FALAR EM PISCINA DE BOLINHAS MAS VALEU MUITO À PENA. O LUCAS ESTAVA LINDO NA FESTA DO SEU 1º ANIVERSÁRIO E TUDO FOI UM SUCESSO.

FELIZ ANIVERSÁRIO E UM BEIJO DO DINDINHO!



Escrito por WALNER DANZIGER às 11h11
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FLAMENGO

ATÉ AGORA EU NÃO TINHA ME MANIFESTADO. NA 21ª RODADA, MEU TIME ESTAVA NA 14ª COLOCAÇÃO NA TABELA. FALTA APENAS UMA RODADA E O FLAMENGO É O LÍDER DO CAMPEONATO. UM JOGO PRA SER CAMPEÃO BRASILEIRO, NUMA RECUPERAÇÃO QUE EU CONSIDERO IMPRESSIONANTE. PRA MIM, O G4 ESTAVA ÓTIMO. ESTAMOS GARANTIDOS NA LIBERTADORES DO ANO QUE VEM MAS AGORA...

- EU QUERO O CANECO!!!!!

- VAMO, MENGÃO!!!!!



Escrito por WALNER DANZIGER às 11h02
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LOMBARDI

PUXA VIDA... HOJE DE MANHÃ, MORREU O LOMBARDI.

- É COM VOCÊ, SIIILLVIO!



Escrito por WALNER DANZIGER às 10h49
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CRÔNICA DE 2ª

EPÍLOGO

 

 

Depois de “Celeste e o Locutor” e “Volume II”, homenageando o grande e saudoso locutor esportivo Fiori Giglioti, eu vos digo: “- Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo, torcida brasileira!”. Espetáculo, no caso, as escorregadas, tropeções e fanfarronices verbais do nosso mais que simpático, o queridão, Luciano do Vale.

Ao fechar a trilogia, meus pouquíssimos mas adorados leitores, nem preciso dizer não tratar-se de patrulhamento ou marcação homem á homem (até porque não sou chegado). É só pra descontrair. (Opa! Não precisava dizer mas eu disse novamente).

Seguem mais algumas pérolas e diamantes e não se esqueçam que de agora em diante, quem pegou gosto terá que arregaçar as mangas, ajeitar-se confortavelmente na frente da televisão, sintonizar na Band e partir pra garimpagem.

Corinthians e Vitória. Abertura da transmissão, escalação das equipes e quando chega a vez do juiz ... “ -... O árbitro Alê...Não... Ali...Puxa vida... Nomezinho complicado hein, seu juiz? “Alériston”! “Alériston”! Ô nomezinho!” Todos os telespectadores  a essa altura do campeonato tinham, por conta própria, lido o nome correto do árbitro no monitor quando o rechonchudo Luciano se mancou e partiu pra correção: “- Agora que eu tô vendo que é um “C”! É “C”! Então é Clériston!, Clériston! Aqui no papel tá diferente. No “CG” é que está correto! “

CG? A moto? Ele quis dizer “GC”, o mais que famoso Gerador de Caracteres.

Segue a peleja e são narradas as defesas do goleiro “Biafra” (na verdade,Viáfora) e a promoção das “Casas Havaí” (Bahia) que sorteará uma casa aos participantes, quando o aprendiz e escudeiro Neto mostra a que veio e o que está aprendendo com o mestre: “- Luciano, Tá um “compacto” ali no meio do campo!” Oba!  Será que os vinis estão mesmo de volta?

O jogo entre Fluminense e Palmeiras corre solto e como tem a vantagem, é interessante pro tricolor carioca que o tempo passe, talvez por isso que o “Maicon” (que atende por Tyson. Será que ele estava com o ex-campeão de boxe na cabeça?) prendesse tanto a bola e o argentino “Conga” (Konka) demorasse a cobrar o escanteio.

“– Que satisfação! De volta a cidade de “Santa Catarina...” (Ué? Santa Catarina não é mais estado? A cidade de Florianópolis mudou de nome?) e antes da bola rolar entre Avaí e Corinthians, ao exibir, todo pimpão, gols antigos do Ronaldo com a sua narração, Luciano se orgulha da própria criatividade. Vejam: “- ... É gol! É gol! Ronaldo!Ronaldo! Ronaldo! É golão! Golão! Não é nem golaço, é golão! Golão! (Sic)

Fluminense e LDU pela Sulamericana em Quito: “... – Tá frio, seu Neto! Os jogadores do Fluminense estão jogando de mangas compridas mas olha lá o torcedor equatoriano na arquibancada: Está com calor. Olha lá. Tem até um com uma “camiseta de manga de ragata”.

E pra fechar os trabalhos (com muito pesar, diga-se de passagem), a cereja: Na volta das equipes para o segundo tempo: “- Estamos de volta. Diretamente de Quito e você acompanha essa primeira partida da final da Copa Sulamericana com exclusividade aqui na “Globo”... (Globo?)

Claro que tentou corrigir mas... Deixa pra lá.

 



Escrito por WALNER DANZIGER às 11h06
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LUCAS

NÃO ERA ESSA A FOTO QUE EU QUERIA COLOCAR (ESSA É ANTIGA) MAS... COISAS DA INTERNET. VALE A INTENÇÃO.

HOJE, 27 DE NOVEMBRO É ANIVERSÁRIO DO LUCAS. MEU AFILHADO COMPLETA UM ANO. UM ANO DE MUITA SAÚDE, BELEZA, ENCANTAMENTO E ALEGRIA NA VIDA DE TODOS NÓS. QUE DEUS O ABENÇÕE E PROTEJA SEMPRE.

UM BEIJO DO DINDINHO!



Escrito por WALNER DANZIGER às 10h47
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NOTÍCIA

E O FERRÉZ VAI DESEMBARCAR NA GALERIA. NÃO SEI MUITOS DETALHES MAS VAI PINTAR NA ÁREA A LOJA TRAZENDO OS LIVROS DO SELO POVO E DE REPENTE, CLARO, OS PRODUTOS DA 1 DA SUL.

SARAVÁ!



Escrito por WALNER DANZIGER às 11h43
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O SOM DA MANHÃ

E TUDO COMEÇOU NO MEU VAI-VAI COM O CHAPINHA E O PAQUERA NAQUELAS RODAS DE DOMINGO.



Escrito por WALNER DANZIGER às 11h34
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CRÔNICA DE 2ª

GLÓRIAS E ALEIJÕES

 

 

Marquei o braço esquerdo que é mesmo pra não esquecer. Hoje é 20 de novembro e eu tô aqui no batuque. Apropriado. Consciência, ao melhor estilo negro, é mesmo festar. Feriado e as previsões meteorológicas arriscando que o ponteiro passa dos trinta e nada de toró. Então vamos pra rua.

A cada ressaca o corpo implora de joelhos um tempo com a birita e a gandaia. Malandro que é malandro, dá um tempo. Não pára não. São muitos anos de bolsinha rodada, calos nos cotovelos e às vezes, as sequelas pesam feio no lombo quarentão. Quem sabe...

Vamos pra rua!

Meu pai, lá atrás, me levando pela mão pro Morumbi pra ver um show pra homenagear a Elis que tinha acabado de empacotar. Lembro pouco. Toquinho... Milton Nascimento...

Baby (Consuelo) e Pepeu (Gomes) eu assisti de monte. A primeira vez, no Ginásio do Corinthians, foi também a primeira vez que cheguei de manhã em casa. Tinha 14 anos. Quando rolaram os do Gil na Praça da Paz no Ibirapuera o goró já era ingerido em doses industriais. Num deles, o Omar que ia comigo e vivia num miserê lascado, vestiu todo pimpão, uma calça jeans novinha pra ir no show e num pique bêbado mais audacioso caiu e abriu um rombo enorme no joelho da calça novinha. Anos 80 e o rock nacional explodindo e a gente pegou tudo, tudo no original: Blitz, Paralamas, Titãs (eu vi a primeira vez na final do FICO, Festival Interno do Colégio Objetivo), Ultraje à Rigor, Ira, Plebe Rude, Capital Inicial e Legião Urbana (show incrível no Palestra Itália). Da turma, eu gostava mesmo do Lobão. Mutcho louco, gordo, recém saído da cadeia, uma vez quase que desceu do palco pra dar porrada num cara que xingou ele. Ah, esqueci do Barão Vermelho mas esse é um caso à parte porque ainda tinha o Cazuza na banda. Hoje isso tem muito valor mas na época eu tava cagando. Como já disse, gostava era do Lobão, que era o maluco que não saía de casa. Pra mim o Cazuza era um playboyzinho, filhinho de papai rico que adorava pagar de bicha louca chiliquenta nos lugares da moda. E foi desse jeito que eu pensei até o dia em que ele abriu pro país inteiro que estava mesmo com aids e sobretudo pela nobreza com que reagiu à manchete escrota que a Veja estampou na capa: “Cazuza: Uma vítima da aids agoniza em praça pública”. Foi numa manhã de julho. Era um sábado e eu ouvi pelo rádio que ele tinha morrido. Eu e Omar tomamos, em sinal de respeito, uma carraspana de conhaque em homenagem ao cara. E foram tantos outros: Hermeto (Paschoal) no coreto da Praça da República, Caetano na Ipiranga com São João, Cássia Eller no vão livre do Masp, Roberto Carlos no Aterro do Flamengo, Martinho, Zeca (Pagodinho), Fundo de Quintal, Leci, Jorge Aragão, Germano Mathias, Walter Alfaiate, Jorge Ben, Marlene (ela mesma, a cantora do rádio), Ângela Maria, Marisa Monte e pra não parecer que eu parei no tempo, Racionais na Cohab II, Thaíde e DJ Hum, RZO, De Leve, Nação Zumbi, Black Alien, B Negão e D2 e aquela pergunta que só pinta em mesa de botequim: Qual deles o melhor?

Se foi ou não o melhor, sei não. A medalha de ouro, claro: Tim Maia no Vale do Anhangabaú e nem se discute.

Essas são as medalhas mas tem os que faltam: Paulinho (da Viola), Chico (Buarque), Demônios da Garoa, Black Rio, Gerson King Kombo, Jair Rodrigues e por aí vai. Por último os aleijões, aqueles que tive chance de assistir mas que agora não dá mais: Nação (Zumbi) com o Chico Science, Ray Charles, James Brown e claro, Michael Jackson. Ai...

Daqui a pouco, bem consciente, eu vou pra rua. Talvez chova. Quem sabe uma nova ressaca pela frente. Quem sabe...

Vou festar e de quebra evitar dois novos aleijões. Hoje é 20 de novembro e lá na Praça da Sé, dois negros conscientes e fundamentais no comando do baticum: (Luis) Melodia e ela, dispensando apresentações, adjetivos e honrarias, Elza Soares.



Escrito por WALNER DANZIGER às 10h56
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